No dia 09 de março acontecem as eleições gerais para o governo da Espanha. Por aqui as coisas acontecem de uma forma um pouquinho diferente, os eleitores votam nos partidos, que de acordo com a quantidade de votos recebidos vão “abocanhando” as vagas disponíveis. Estarão em jogo, 350 cargos de deputados e outros 208 para senador, que posteriormente decidem quem o ocupa o cargo de presidente de governo.
Espanha é um país multipartidarista, no entanto, até o momento apenas quatro lançaram candidatos em termos de presidência. E, apenas dois possuem um confronto direto pela chefia do Estado, PSOE – Partido Socialista Obreiro de Espanha e PP – Partido Popular. Ainda que não sejam objeto direto das eleições, os candidatos a presidência são os “carros-chefes” de campanha, e atualmente a briga é acirrada entre José Luis Rodriguez Zapatero, atual presidente (PSOE) e Mariano Rajoy (PP).
Esta manhã, em uma entrevista na TVE, Mariano Rajoy se demonstrou não muito confiante, com propostas generalistas e considerando-se um injustiçado pelas televisões espanholas. Isso porque, recentemente foi alvo de duras críticas após desacreditar o aquecimento global com a seguinte declaração: “Eu sei pouco sobre esse assunto, mas meu primo suponho que sim e ele (José Javier Brey, científico e catedrático da Universidade de Sevilha) me disse que trouxe dez dos mais importantes científicos do mundo aqui e nenhum deles pode garantir o tempo na manhã seguinte, em Sevilha. Então, como alguém pode dizer o que acontecerá em 300 anos?”.
Não estou completamente em desacordo com o raciocínio do candidato do PP, mas com certeza aquele não era um bom momento para este tipo de comentário, levando em consideração que alguns dias antes havia passado pela cidade sevilhana, o defensor “Mor” da causa ambiental, Al Gore.
O desempenho de Zapatero em números não é dos piores, segundo o representante do El País, nessa mesma entrevista da TVE, Espanha tem índices econômico muito melhores agora, do que quando era governada pelo PP. Porém, o Brasil também tem um crescimento mais acelerado agora, e isso não está diretamente ligado ao governo do PT, e tão pouco a situação real dos brasileiros acompanha os bons números do governo. O crescimento é uma consequência de medidas a longo prazo, e que foram fortalecidas com mudanças positivas no cenário mundial. Não que esteja desmerecendo o governo Lula, apenas acredito que o crédito não seja todo seu. Assim que, posso também interpretar que o mesmo pode suceder em Espanha, e que a perguntinha do senhor jornalista era sim muito interessante, mas não pode ser tomada como verdade, e sim uma provocadora da mesma.
Em breve, começam os debates, ainda não sei as datas, mas pretendo vê-los um a um. Ainda quero descobrir em quem votaria se fosse espanhola. Além disso, vale lembrar também que neste caso as eleições seriam duplas, porque este ano, na mesma data, acontecem em Andaluzia (o estado onde estou, que aqui chamam de Comunidades Autônomas), as eleições para o parlamento, e aí serão mais 109 vaguinhas em questão. Mas, deste assunto falo outro dia, senão vocês cansam.