Hoje, faz dois meses que estou aqui, em Sevilha. Apesar das saudades, posso dizer que está sendo uma fase incrível da minha vida. Como fiquei muitos dias sem escrever, hoje aproveitando a data vou fazer um balanço de tudo que já vivenciei por aqui, comentar fatos e tudo o mais que me parecer válido.
Culturas
Estar em Sevilha não é só estar na Espanha, é estar em várias parte do mundo ao mesmo tempo. O fluxo de estudantes Erasmus (bolsa de estudos para estudantes europeus) e de pessoas de toda parte do mundo que vem aqui para estudar ou trabalhar é muito grande, de maneira que você vive um pouquinho de cada cultura de acordo com o pessoal que vai conhecendo. Eu neste pouco tempo já conheci pessoas maravilhosas da Italia, França, Espanha, Siria, Bolivia, Chile, Equador, República Checa, Sahara Ocidental, Suécia, Polônia, Alemanha… espero que não esteja esquecendo ninguém.
Pero, ¿por qué no te callas?
Essa foi a frase mais linda e perigosa que ouvi por aqui. “Dios mío” como eu ri no momento exato em que via a cena. Aqui, na Espanha no dia posterior era só disso que se falava. Todos os canais, todos os programas, todas as capas de jornais e revistas, a frase mais vista era ”El callate del Rey”. Para mim, a melhor declaração a respeito da repercusão do fato foi a de Zapatero “Eu só percebi que o assunto tinha virado o que virou quando fui tomar café da manhã, minha filha estava sentada a mesa, olhou pra mim e disse Pero, ¿por que no te callas? Aí sim percebi, o rumo que tudo tinha tomado”
Uma declaração simples de alguém que se colocou primeiro no lugar do povo pra entender o que havia passado. Depois é claro, começaram as maratona pra enxugar o leite derramado, mas se conheço um poquinho do sentimentalista Chavez, isto vai virar um ferida pro resto da vida. Vamos aguardar os próximos capítulos… Agora, não dá pra negar uma coisa: Ô Rey peitudo esse! Vou mandar ele falar com o Bush…
O frio
Faz poucos dias que comecei a sentir um arrepio na espinha, um ressecamento nos lábios, falta de mais um cobertor, de uma meia pra dormir, e comecei a ver sentindo em todo esse equimento de aquecimento aqui em casa. É, o frio tinha chegado. Agora ele está aqui, do lado de fora da janela, esperando que eu saia pra me receber com o romântico clima frio europeu.
Já usei as luvas e um casaco mais pesado, logo coloco também um cachecol, uma toquinha com pelinhos e aí o traje está completo. Vai ficar faltando só a neve que aqui não tem. As folhas já estão todos ao chão, o matinho não está mais tão verde e o sol está estupidamente agradável. Ah o inverno!
Universidade
Com o tempo você vai descobrindo que todo lugar tem seu lado bom e ruim. Que há pessoas maravilhosas além das que não te agradam muito e que uma situação em princípio boba pode te levar a outras perfeitas. Foi assim que conheci José Maria, um dos administradores da universidade. Ele dentre outras coisas ajuda aos estudantes estrangeiros. Confesso que a primeira vez que o vi, achei engraçada sua peruca, mas depois quando precisei de um documento que não lhe competia, mas que com toda atenção providenciou pra mim vi que este senhor era um meio pai pra todos que precisavam de algo.
As aulas
A matéria que eu mais gosto no momento é Relações Internacionais. Cada dia vejo que tenho mais afinidade com esse campo e que o que me falta é conhecimento, o que estou tentando suprir ao máximo. Todas as quintas-feiras durante as aulas jogamos algo que se parece muito a WAR, onde cada aluno (somos mais ou menos 50) é um ator internacional, eu sou Brasil (óbvio… Rs…), e cada um planeja uma ação e contra-ataca outra… Relatamos no verso de um mapa para que fim de ano ele analise o desempenho de cada. É perfeito!
Balanço final
Positivíssimo! Houve momentos difíceis, complicados, inesperados, mas aprendi tanto quanto com todos os outros maravilhosos! E hoje é dia de comemorar…